domingo, 22 de maio de 2011

ZIRALDO

ZIRALDO
O escritor maluquinho
Na visão do autor, o livro tem papel fundamental no desenvolvimento das crianças, e ler é mais importante do que estudar
Por Vanessa Prata



Cartunista, chargista, escritor, dramaturgo, desenhista, jornalista... Ufa! Ziraldo Alves Pinto é tudo isso e ainda encontrou um tempinho para falar com a revista Guia Prático para Professores de Ensino Fundamental I. Ziraldo nasceu em Caratinga (MG), em 1932, trabalhou na revista O Cruzeiro, marco do jornalismo brasileiro, e no Jornal do Brasil, criou a revista em quadrinhos Turma do Pererê e foi um dos fundadores do periódico O Pasquim, de oposição ao regime militar. Em 1980, lançou o livro O Menino Maluquinho, seu maior sucesso editorial, e até hoje colabora com diversas publicações. Confira na entrevista a seguir suas dicas para aproximar as crianças dos livros.

"A leitura deve sempre ser associada ao prazer das descobertas. Dê um livro de presente, sempre! O livro é o único presente que já vem com um elogio. Quem ganha o livro se sente lisonjeado: ‘Meu presenteador acha que eu sou inteligente e interessado’."

Dica esperta!

No site http://meninomaluquinho.com.br/jogos, você encontra diversos jogos e passatempos online com o personagem Menino Maluquinho.

Qual o papel do livro no desenvolvimento da criança?

Ziraldo: Fundamental! Não sou educador nem pertenço a qualquer organização que cuida oficialmente de estímulo à leitura, mas aproveito todo o espaço que tenho para falar sobre o assunto. A questão da leitura no Brasil é grave. Nossos jovens estão chegando à universidade praticamente analfabetos: a grande maioria é incapaz de entender o que lê de imediato ou incapaz der se expressar com clareza pela leitura. Nossos governantes e nossas escolas têm que compreender que a coisa mais importante no ensino fundamental é conduzir nossas crianças para o domínio total da escrita, da leitura e da aritmética. O resto virá por acréscimo. Ler é mais importante do que estudar!

Como se forma um leitor?

Ziraldo: Passei mais de vinte anos atrás dessa resposta. Até encontrá-la! Para que a criança goste de ler, leia com ela, leia para ela. Histórias para crianças eram chamadas – na época em que não havia televisão, cinema e rádio (pelo menos na Inglaterra) – de bedtime stories. Para fazer um país justo e feliz, um povo tem que saber escolher. E só se aprende isto com a palavra escrita. O homem só chegou à Lua porque, depois de Gutenberg, todo mundo teve acesso ao livro e ao conteúdo que eles preservam.

Qual a importância da contação de histórias para desenvolver o hábito da leitura das crianças?

Ziraldo: Toda criança gosta de ouvir histórias. Um bom hábito é a leitura compartilhada, a conversa sobre o livro que se está lendo. Se um pai decide ler para o filho, ele pode ler até Guerra e Paz que a criança se interessará pela história. Outra coisa de grande efeito é dar para a criança um álbum para ela escrever seu diário. Se a criança vai escrever sobre ela, terá muito mais interesse do que se alguém pedir para ela escrever sobre o Duque de Caxias, por exemplo. É importante também não transformar leitura em dever. A leitura deve sempre ser associada ao prazer das descobertas. Dê um livro de presente, sempre! O livro é o único presente que já vem com um elogio. Quem ganha o livro se sente lisonjeado: “Meu presenteador acha que eu sou inteligente e interessado.”
FONTE:/revistaguiafundamental.uol.com.br

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