terça-feira, 20 de abril de 2010

TODO DIA É DIA DE ÍNDIO

Todo dia é dia de índio
Publicado em 20/04/2010 pelo(a) wiki repórter carvalhosilva, Salvador-BA

A sociedade em geral tem pedido socorro, os índios estão sendo dizimados. Os graves acontecimentos que têm rondado e levado de roldão as criaturas deixam marcas inapagáveis na alma e os gritos aterrorizantes são reflexos intrínsecos do que tem perpassado na nossa coletividade o mau do século. A indiferença, o descaso e os seres debatem-se ante a agonia que os afligem e o medo que os fazem se trancar nas, jaulas existenciais. Quanto aos homens dito civilizados, uns têm medo dos outros e vivem sempre na retaguarda, armados até os dentes pelo marasmo que os aniquilam sem os códigos de honra que estão vilipendiados.

Estamos nos debatendo e andando em círculos, nossos conceitos deterioraram-se, nossas leis não são levadas a sério, já não atendem aos nossos anseios e já não são mais cegas, enxergando com o olho da descriminação e preconceito. Daí os pedidos de socorro esbarrar na apatia que tem rotulado o homem, câncer moral; o homem é lobo do próprio homem. E o canibalismo tem corrido solto. Esse preâmbulo tem a intenção de situar a raça indígena, no habitat o qual ele vive atualmente, depois dos dias prósperos e auspiciosos antes da chega da esquadra de Cabral e Caminha.

A Ilha de Vera Cruz, região nordestina que Pero Vaz descreveu no seu relato alardeando o Descobrimento, a chegada em terras brasileiras com entusiasmo e euforia, hoje segrega todo tipo de doença moral. Havia aqui uma população genuína de aproximadamente cinco milhões de índios, cujas tribos, tupis-guaranis, macro-jê ou tapuias, os arauques e os caraibas eram os donos legítimos da terra Brasil, os seus nativos a povoavam com dignidade; hoje são perto de 400 mil almas destroçadas à espera do golpe final.

O que comemorar no 19? A perda da sua identidade cultural? A perda da sua riqueza? Dos seus costumes? Dos seus valores? Os gestos simples da caça, da pesca e a agricultura, o cultivo do milho, amendoim, feijão, abóbora, bata-doce e mandioca, deram lugar hoje ao uso indiscriminado de uma cultura que lhe é imposta e que os agridem de forma brutal os contaminando com as mazelas de gente branca, ditas civilizadas, cujos códigos de ética estão corrompidos.

Nada contra o progresso, longe disso, mas é uma minoria de nossos irmãos que hoje usam leptops, celulares, câmaras digitais, estudam e andam pelas faculdades, aprendem nossa língua, dirigem carros, sonham com a mega sena, como se o dinheiro fosse restituir sua dignidade perdida. Creio que tudo isso seja bom, porém essa conjuntura não espelha e não refletem as condições subumanas em que a maioria desses irmãos cognominados de índios vivem de forma ultrajante sob a bandeira FUNAI e, humilhados sucumbem com doenças de brancos que lhe impõem uma dura realidade.

Sua cultura está agonizando dia-a-dia, seus valores estão sendo desrespeitados, muitos estão morrendo à míngua, antes não tivessem um dia se espantado serem apresentados a uma galinha.

O que comemorar no dia 19 de abril? Quais aspectos, quais atitudes a serem festejadas, quais aplausos a lhe restituir dignidade? Que se coloque os cocares e os enfeites nas escolas sobre a cabeça das crianças, que lhes falem de suas histórias, da sua cultura, mas que isso seja feito de forma fidedigna. A caça com arco e flecha, a pesca, a agricultura rudimentar, contudo eficaz, cederam lugar a outros costumes, distanciando-os assim da sua realidade. Caçam e pescam com as armas dos homens brancos, que se acreditam superiores.

Não estou querendo ser visionário, mas aplaudo Policarpo Quaresma.

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