Os primeiros registros de práticas de ilegalidade no Brasil, que temos registro, datam do século XVI no período da colonização portuguesa. O caso mais freqüente era de funcionários públicos, encarregados de fiscalizar o contrabando e outras transgressões contra a coroa portuguesa e ao invés de cumprirem suas funções, acabavam praticando o comércio ilegal de produtos brasileiros como pau-brasil, especiarias, tabaco, ouro e diamante. Cabe ressaltar que tais produtos somente poderiam ser comercializados com autorização especial do rei, mas acabavam nas mãos dos contrabandistas. Portugal por sua vez se furtava em resolver os assuntos ligados ao contrabando e a propina, pois estava mais interessado em manter os rendimentos significativos da camada aristocrática do que alimentar um sistema de empreendimentos produtivos através do controle dessas práticas.
Um segundo momento refere-se a extensa utilização da mão-de-obra escrava, na agricultura brasileira, na produção do açúcar. De 1580 até 1850 a escravidão foi considerada necessária e, mesmo com a proibição do tráfico, o governo brasileiro mantinha-se tolerante e conivente com os traficantes que burlavam a lei. Políticos, como o Marquês de Olinda e o então Ministro da Justiça Paulino José de Souza, estimulavam o tráfico ao comprarem escravos recém-chegados da África, usando-os em suas propriedades. Apesar das denúncias de autoridades internacionais ao governo brasileiro, de 1850 até a abolição da escravatura em 1888, pouco foi feito para coibir o tráfico. Isso advinha em parte pelos lucros, do suborno e da propina, que o tráfico negreiro gerava a todos os participantes, de tal forma que era preferível ao governo brasileiro ausentar-se de um controle eficaz. Uma fiscalização mais rigorosa foi gradualmente adotada com o compromisso de reconhecimento da independência do Brasil. Um dos países interessados em acabar com o tráfico escravo era a Inglaterra, movida pela preocupação com a concorrência brasileira às suas colônias açucareiras nas Antilhas.
Com a proclamação da independência em 1822 e a instauração do Brasil República, outras formas de corrupção, como a eleitoral e a de concessão de obras públicas, surgem no cenário nacional. A última estava ligada à obtenção de contratos junto ao governo para execução de obras públicas ou de concessões. O Visconde de Mauá, por exemplo, recebeu licença para a exploração de cabo submarino e a transferiu a uma companhia inglesa da qual se tornou diretor. Prática semelhante foi realizada por outro empresário brasileiro na concessão para a iluminação a gás da cidade do Rio de Janeiro, também transferida para uma companhia inglesa em troca de 120 mil libras. O fim do tráfico negreiro deslocou, na República, o interesse dos grupos oligárquicos para projetos de grande porte que permitiriam manter a estrutura de ganho fácil.
A corrupção eleitoral é um capítulo singular na história brasileira. Deve-se considerar que a participação na política representa uma forma de enriquecimento fácil e rápido, muitas vezes de não realização dos compromissos feitos durante as campanhas eleitorais, de influência e sujeição aos grupos econômicos dominantes no país (salvo raras exceções). No Brasil Império, 1822-1889, o alistamento de eleitores era feito a partir de critérios diversificados, pois somente quem possuísse uma determinada renda mínima poderia participar do processo. A aceitação dos futuros eleitores dava-se a partir de uma listagem elaborada e examinada por uma comissão que também julgava os casos declarados suspeitos. Enfim, havia liberdade para se considerar eleitor quem fosse de interesse da própria comissão. A partir disso ocorria o processo eleitoral, sendo que os agentes eleitorais deveriam apenas verificar a identidade dos cidadãos que constava na lista previamente formulada e aceita pela comissão.
Com a República, proclamada em 1889, o voto de “cabresto” foi a marca registrada no período. O proprietário de latifúndio apelidado de “coronel” impunha coercitivamente o voto desejado aos seus empregados, agregados e dependentes. Outra forma constante de eleger o candidato era o voto comprado, ou seja, uma transação comercial onde o eleitor “vendia” o voto ao empregador. A forma mais pitoresca relatada no período foi o voto pelo par de sapatos. No dia da eleição o votante ganhava um pé do sapato e somente após a apuração das urnas o coronel entregava o outro pé. Caso o candidato não ganhasse o eleitor ficaria sem o produto completo. Deve-se considerar que a maior parte das cidades não possuía número de empregos suficiente que pudessem atender a oferta de trabalhadores, portanto a sobrevivência econômica do eleitor/empregado estava atrelada a sujeição das vontades do coronel.
Outro registro peculiar desse período é o “sistema de degolas” orquestrado por governadores que manipulavam as eleições para deputado federal a fim de garantir o apoio ao presidente, no caso Campos Sales (presidente do Brasil de 1898 a 1902). Os deputados eleitos contra a vontade do governo eram simplesmente excluídos das listas ou “degolados” pelas comissões responsáveis pelo reconhecimento das atas de apuração eleitoral. Todos os governos, até 1930, praticavam degolas.
Uma outra prática eleitoral inusitada ocorreu em 1929, durante as disputas eleitorais à presidência entre os candidatos Júlio Prestes (representante das oligarquias cafeicultoras paulistas) e Getúlio Vargas (agregava os grupos insatisfeitos com o domínio das oligarquias tradicionais). O primeiro venceu obtendo 1 milhão e 100 mil votos e o segundo 737 mil. Entretanto os interesses do grupo que apoiava Getúlio Vargas, acrescido da crise da Bolsa de Nova York, que levou à falência vários fazendeiros, resultou numa reviravolta do pleito eleitoral. Sob acusações de fraude eleitoral, por parte da aliança liberal que apoiava o candidato derrotado, e da mobilização popular (Revolução de 30), Getúlio Vargas tomou posse como presidente do país em 1930. Talvez essa tenha sido uma das mais expressivas violações dos princípios democráticos no país onde a fraude eleitoral serviu para a tomada de poder.
Durante as campanhas eleitorais de 1950, um caso tornou-se famoso e até hoje faz parte do anedotário da política nacional: a “caixinha do Adhemar”. Adhemar de Barros, político paulista, era conhecido como “um fazedor de obras”, seu lema era “Rouba, mas faz!”. A caixinha era uma forma de arrecadação de dinheiro e de troca de favores. A transação era feita entre os bicheiros, fornecedores, empresários e empreiteiros que desejavam algum benefício do político. Essa prática permitiu tanto o enriquecimento pessoal, para se ter uma idéia, em casa, Adhemar de Barros costumava guardar para gastos pessoais 2,4 milhões de dólares, quanto uma nova forma de angariar recursos para as suas campanhas políticas.
O período militar, iniciado com o golpe em 1964, teve no caso Capemi e Coroa- Brastel uma amostra do que ocultamente ocorria nas empresas estatais. Durante a década de 80 havia um grupo privado chamado Capemi (Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios), fundado e dirigido por militares, que era responsável pela previdência privada. O grupo era sem fins lucrativos e tinha como missão, gerar recursos para manutenção do Programa de Ação Social, que englobava a previdência e a assistência entre os participantes de seus planos de benefícios e a filantropia no amparo à infância e à velhice desvalida. Este grupo, presidido pelo general Ademar Aragão, resolveu diversificar as operações para ampliar o suporte financeiro da empresa. Uma das inovações foi a participação em um consórcio de empresas na concorrência para o desmatamento da área submersa da usina hidroelétrica de Tucuruí (empresa estatal). Vencida a licitação pública em 1980 deveria-se, ao longo de 3 anos, concluir a obra de retirada e de comercialização da madeira. O contrato não foi cumprido e o dinheiro dos pensionistas da Capemi dizia-se que fora desviado para a caixinha do ministro-chefe do Sistema Nacional de Informações (SNI), órgão responsável pela segurança nacional, general Otávio Medeiros que desejava candidatar-se à presidência do país. A resultante foi a falência do grupo Capemi, que necessitava de 100 milhões de dólares para saldar suas dívidas, e o prejuízo aos pensionistas que mensalmente eram descontados na folha de pagamento para a sua, futura e longínqua, aposentadoria. Além do comprometimento de altos escalões do governo militar o caso revelou: a estreita parceria entre os grupos privados interessados em desfrutar da administração pública, o tráfico de influência, e a ausência de ordenamento jurídico.
Em 1980 o proprietário da Coroa-Brastel, Assis Paim, foi induzido pelos ministros da economia Delfim Netto, da fazenda Ernane Galvêas e pelo presidente do Banco Central, Carlos Langoni, a conceder à Corretora de Valores Laureano um empréstimo de 180 milhões de cruzeiros. Cabe ressaltar que a Coroa-Brastel era um dos maiores conglomerados privados do país, com atuações na área financeira e comercial, e que o proprietário da Corretora de Valores Laureano era amigo pessoal do filho do chefe do SNI Golbery do Couto e Silva.
Interessado em agradar o governo militar, Paim concedeu o empréstimo, mas após um ano o pagamento não havia sido realizado. Estando a dívida acumulada em 300 milhões de cruzeiros e com o envolvimento de ministros e do presidente do Banco Central, a solução encontrada foi a compra, por Paim, da Corretora de Valores Laureano com o apoio do governo. Obviamente a corretora não conseguiu saldar suas dívidas, apesar da ajuda de um banco estatal, e muito menos resguardar o prestígio dos envolvidos.
A redemocratização brasileira na década de 80 teve seu espaço garantido com o fim do governo militar (1964-1985). Em 1985 o retorno dos civis à presidência foi possível com a campanha pelas Diretas-Já, que em 1984 mobilizou milhares de cidadãos em todas as capitais brasileiras pelo direito ao voto para presidente. Neste novo ciclo político o Impeachment do presidente Collor constitui um marco divisor nos escândalos de corrupção.
Durante as eleições para presidente em 1989 foi elaborado um esquema para captação de recursos à eleição de Fernando Collor. Posteriormente, foi revelado que os gastos foram financiados pelos usineiros de Alagoas em troca de decretos governamentais que os beneficiariam. Em abril de 1989, após aparecer seguidamente em três programas eleitorais, Collor já era um nome nacional. Depois que Collor começou a subir nas pesquisas, foi estruturado um grande esquema de captação de dinheiro com base em chantagens e compromissos que lotearam previamente a administração federal e seus recursos. Esse esquema ficou conhecido como “Esquema PC”, sigla baseada no nome do tesoureiro da campanha, Paulo César Farias, e resultou no impeachment do presidente eleito. Segundo cálculos da Polícia Federal estima-se que este esquema movimentou de 600 milhões a 1 bilhão de dólares, no período de 1989 (campanha presidencial) a 1992 (impeachment).
Nossa breve história da corrupção pode induzir à compreensão que as práticas ilícitas reaparecem como em um ciclo, dando-nos a impressão que o problema é cultural quando na verdade é a falta de controle, de prestação de contas, de punição e de cumprimento das leis. É isso que nos têm reconduzido a erros semelhantes. A tolerância a pequenas violações que vão desde a taxa de urgência paga a funcionários públicos para conseguir agilidade na tramitação dos processos dentro de órgão público, até aquele motorista que paga a um funcionário de uma companhia de trânsito para não ser multado, não podem e não devem mais ser toleradas. Precisamos decidir se desejamos um país que compartilhe de uma regra comum a todos os cidadãos ou se essa se aplicará apenas a alguns. Nosso dilema em relação ao que desejamos no controle da corrupção é esquizofrênico e espero que não demoremos muito no divã do analista para decidirmos.
Rita Biason
Fonte: www.votoconsciente.org.br
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
VOTO BRANCO E NULO PARA QUE SERVEM
Há uma grande confusão pairando no ar, principalmente na internet sobre a questão da importância dos votos brancos e nulos. Por isso, vamos elucidar de uma vez por todas todo o mal-entendido por trás desta questão para que nós eleitores possamos tomar decisões mais concretas na hora de votar e para que saibamos quais as ferramentas realmente temos nas mãos em frente à uma urna eletrônica de votação.
AS INVERDADES
Há muito tempo atrás, na era em que rabiscávamos papéis para votar em nulo, escrevíamos piadas ou coisas sem sentido, colocávamos nomes fictícios ou de pessoas que não são candidatos, ou ainda, deixávamos em branco por praticidade, já havia uma grande bagunça sobre esse assunto e votos brancos eram considerados como “Tanto faz o candidato A, B ou C” e os votos Nulos costumavam ser confundidos com a não aceitação da opção do candidato A, B ou c…
A CONFUSÃO
Isso ficou bagunçado e confuso, sem ninguém saber o que é verdade e o que é mentira por que não é interessante de um ponto de vista político focar em algo que não seja os partidos e candidatos como opção. Não existe o candidato Nulo e Branco, nem o partido que os represente para que este possa ser representado por um programa eleitoral gratuito na TV, Rádio e mídia em geral. Por isso, quando se fala em política, só se ouve Partidos e candidatos e ficamos sem saber de fato quais são todas as opções que temos para escolher na hora de votar. A indução política é muito forte no que interessa aos partidos.
Jamais nos permitiriam saber as verdades e inverdades sobre votos brancos e nulos, que poderiam ter a justiça eleitoral como representante, mas nem isso, nem no site deles isso é claro.
BOATOS DA INTERNET
Hoje, na era da internet e do poder da informação, ainda há muita confusão sobre o assunto. Desde muito tempo já circula entre os internautas emails sem fundamento algum que dizem que as pessoas devem votar em branco se desejarem que qualquer um dos candidatos vença, e que devem votar em nulo no intuito de que este tipo de voto atinja mais de 50% do total. Isso por que supostamente ocorrendo isso, haveria uma nova eleição onde os mesmos candidatos não poderiam se apresentar como opção. OU seja, Haveria uma nova eleição com novos candidatos. Mas de onde tiraram isso? Provavelmente de uma má interpretação do código eleitoral, além do interêsse em criar correntes por email.
PARA QUE REALMENTE SERVEM OS VOTOS BRANCOS E NULOS
VOTOS EM BRANCO
Na verdade, o voto em branco não serve como indiferença ao candidato A ou B, nem tampouco serve como acréscimo de votos para o candidato que tiver mais votos.
O voto branco aparece como opção na urna eletrônica e serve meramente para fins estatísticos, não tendo efeito algum sobre a eleição em sí (lei Nº 9.504).
VOTO NULO
“Voto Nulo” era usado para representar os votos de pessoas que não votaram num candidato real na época dos votos de papel. Na verdade, não servem para mostrar indignação e revolucionar, mas sim com o novo sistema, votos nulo e branco não têm distinção entre sí. Tanto faz você digitar um número que não representa nenhum candidato, como “00? por exemplo, ou clicar em “Branco” e confirmar. Vai tudo pra mesma contabilidade.
A verdade é que em um artigo na lei nº 4.737/65 confundiu muita gente por causa da palavra “nulidade”. A confusão está plantada aí:
“… se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do estado nas eleições federais e estaduais, ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.”
“Nulidade” no caso, se refere a votos que tenham sido submetidos a algum tipo de fraude, isso sim se aplicaria a lei acima.
Em geral, seja branco, ou nulo, o voto não é contabilizado para ninguém e serve meramente para impressões estatísticas.
VOTONAURNA VOTO BRANCO E NULO | PARA QUE SERVEM?
Não tem jeito de interferirmos mais na podridão política, pois e você votar em branco ou no “00?, vai estar apenas deixando que o candidato que tiver mais votos ganhe a eleição e este pode ser aquele que você mais teme.
Infelizmente só temos a opção votar ou votar neste país democrático onde o voto é obrigatório. Difícil escolher no cenário atual, mas é o que nos resta. É interessante como a propaganda política rasteja pela mídia e vai tentando se infiltrar em nossa mente subconsciente de maneirra sorrateira.
Ressalto a importância de você, eleitor ficar ligado no que acontece no senado, no planalto, na câmara e em toda a podridão política, bem como nos feitos merecidamente reconhecidos de poucos que ainda conseguem ser sérios perante tanta decadência.
Lembre-se que para os políticos, as eleições servem apenas para que seus partidos e ideais continuem e aumente de força, pios quanto mais gente de um mesmo partido ou aliado é eleito, mas força tem um partido para votar em leis, regras ou imposições, como queira chamá-las. Para você e eu, pobres eleitores que não sabemos o que fazer com tanto poder destrutivo nas mãos, resta-nos acertar, pois escolha lógica não é possível num país onde eleição não é levada à sério e onde o cenário político é o que conhecemos e vivemos. E o pior é que sabemos que os mesmos que estão no cenário atual são os que serão candidatos ao cenário posterior, pode-se esperar muita coisa? Pense bem, pois de nada adianta ficarmos indignados, assistirmos CPIs e mais CPIs, pizza e mais pizza. Não adianta movimentos e passeatas, se o que faz isso continuar ou mudar é o seu voto.
Fonte: www.semmundo.com
AS INVERDADES
Há muito tempo atrás, na era em que rabiscávamos papéis para votar em nulo, escrevíamos piadas ou coisas sem sentido, colocávamos nomes fictícios ou de pessoas que não são candidatos, ou ainda, deixávamos em branco por praticidade, já havia uma grande bagunça sobre esse assunto e votos brancos eram considerados como “Tanto faz o candidato A, B ou C” e os votos Nulos costumavam ser confundidos com a não aceitação da opção do candidato A, B ou c…
A CONFUSÃO
Isso ficou bagunçado e confuso, sem ninguém saber o que é verdade e o que é mentira por que não é interessante de um ponto de vista político focar em algo que não seja os partidos e candidatos como opção. Não existe o candidato Nulo e Branco, nem o partido que os represente para que este possa ser representado por um programa eleitoral gratuito na TV, Rádio e mídia em geral. Por isso, quando se fala em política, só se ouve Partidos e candidatos e ficamos sem saber de fato quais são todas as opções que temos para escolher na hora de votar. A indução política é muito forte no que interessa aos partidos.
Jamais nos permitiriam saber as verdades e inverdades sobre votos brancos e nulos, que poderiam ter a justiça eleitoral como representante, mas nem isso, nem no site deles isso é claro.
BOATOS DA INTERNET
Hoje, na era da internet e do poder da informação, ainda há muita confusão sobre o assunto. Desde muito tempo já circula entre os internautas emails sem fundamento algum que dizem que as pessoas devem votar em branco se desejarem que qualquer um dos candidatos vença, e que devem votar em nulo no intuito de que este tipo de voto atinja mais de 50% do total. Isso por que supostamente ocorrendo isso, haveria uma nova eleição onde os mesmos candidatos não poderiam se apresentar como opção. OU seja, Haveria uma nova eleição com novos candidatos. Mas de onde tiraram isso? Provavelmente de uma má interpretação do código eleitoral, além do interêsse em criar correntes por email.
PARA QUE REALMENTE SERVEM OS VOTOS BRANCOS E NULOS
VOTOS EM BRANCO
Na verdade, o voto em branco não serve como indiferença ao candidato A ou B, nem tampouco serve como acréscimo de votos para o candidato que tiver mais votos.
O voto branco aparece como opção na urna eletrônica e serve meramente para fins estatísticos, não tendo efeito algum sobre a eleição em sí (lei Nº 9.504).
VOTO NULO
“Voto Nulo” era usado para representar os votos de pessoas que não votaram num candidato real na época dos votos de papel. Na verdade, não servem para mostrar indignação e revolucionar, mas sim com o novo sistema, votos nulo e branco não têm distinção entre sí. Tanto faz você digitar um número que não representa nenhum candidato, como “00? por exemplo, ou clicar em “Branco” e confirmar. Vai tudo pra mesma contabilidade.
A verdade é que em um artigo na lei nº 4.737/65 confundiu muita gente por causa da palavra “nulidade”. A confusão está plantada aí:
“… se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do estado nas eleições federais e estaduais, ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.”
“Nulidade” no caso, se refere a votos que tenham sido submetidos a algum tipo de fraude, isso sim se aplicaria a lei acima.
Em geral, seja branco, ou nulo, o voto não é contabilizado para ninguém e serve meramente para impressões estatísticas.
VOTONAURNA VOTO BRANCO E NULO | PARA QUE SERVEM?
Não tem jeito de interferirmos mais na podridão política, pois e você votar em branco ou no “00?, vai estar apenas deixando que o candidato que tiver mais votos ganhe a eleição e este pode ser aquele que você mais teme.
Infelizmente só temos a opção votar ou votar neste país democrático onde o voto é obrigatório. Difícil escolher no cenário atual, mas é o que nos resta. É interessante como a propaganda política rasteja pela mídia e vai tentando se infiltrar em nossa mente subconsciente de maneirra sorrateira.
Ressalto a importância de você, eleitor ficar ligado no que acontece no senado, no planalto, na câmara e em toda a podridão política, bem como nos feitos merecidamente reconhecidos de poucos que ainda conseguem ser sérios perante tanta decadência.
Lembre-se que para os políticos, as eleições servem apenas para que seus partidos e ideais continuem e aumente de força, pios quanto mais gente de um mesmo partido ou aliado é eleito, mas força tem um partido para votar em leis, regras ou imposições, como queira chamá-las. Para você e eu, pobres eleitores que não sabemos o que fazer com tanto poder destrutivo nas mãos, resta-nos acertar, pois escolha lógica não é possível num país onde eleição não é levada à sério e onde o cenário político é o que conhecemos e vivemos. E o pior é que sabemos que os mesmos que estão no cenário atual são os que serão candidatos ao cenário posterior, pode-se esperar muita coisa? Pense bem, pois de nada adianta ficarmos indignados, assistirmos CPIs e mais CPIs, pizza e mais pizza. Não adianta movimentos e passeatas, se o que faz isso continuar ou mudar é o seu voto.
Fonte: www.semmundo.com
VOTO - UM DIREITO POLÍTICO
O texto constitucional, no capítulo dos direitos políticos, afirma que a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos.
O voto é obrigatório para os maiores de dezoito anos e facultativo para os analfabetos, os maiores de setenta anos e os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
O voto é, portanto, um direito e ao mesmo tempo uma obrigação.
Votar, segundo Buarque de Holanda, é manifestar por voto o que sente ou pensa; dar o seu voto (a favor ou contra alguém ou algo).
Esse substantivo, voto, que traduz a ação de votar, é de grande importância para o cidadão consciente de seus deveres cívicos.
Numa democracia o voto é uma força, força que pode mudar o destino político de um povo.
Como, então, utilizar bem essa força para eleger os nossos governantes?
É fundamental que o eleitor, aquele que tem direito de eleger pelo voto seu representante, pense antes de votar.
O que é pensar?
É exercer uma função pertinente a determinada faculdade da mente humana.
A função de pensar, praticada como ensina a Logosofia - ciência do pensar consciente -, manifesta-se quando o ser, ao efetuar por império do novo saber as primeiras reflexões, percebe que nessa função, na qual começa a exercitar-se, sua vontade intelectiva atua respondendo à direção manifestamente lúcida da consciência. Sente, ao mesmo tempo, que pensa sob o auspício de uma concepção psicológica humana e observa que suas reflexões adquirem maior amplitude. Esta primeira confirmação da verdade que lhe anuncia o saber logosófico promove seu primeiro entusiasmo.
Há uma diferença fundamental entre a nova forma de exercer a função de pensar e a corretamente praticada. Essa diferença apoia-se no fato de que, enquanto a última corresponde quase que exclusivamente a necessidades do momento, atendendo a reclamos ou urgências de ordem material ou urgências de ordem material ou intranscendente, a função de pensar, orientada pelo método logosófico, obedece invariavelmente a um plano de vastos alcances na ordem mental, psicológica e espiritual; em outras palavras, à realização do processo consciente de evolução humana.
A faculdade de pensar não atua aqui isoladamente, mas sim, conduzida pelo próprio método, conecta cada esforço que realiza com uma perspectiva ou oportunidade mediata ou imediata que deverá ser preparada com antecipação.
A faculdade de pensar, fazendo parte da inteligência, para ser exercida, não deve fazê-lo, como vimos, isoladamente, deve requerer o concurso de outras faculdades mentais, como a de refletir, observar, meditar, dentre outras.
Assim, ao pensar no voto, o cidadão para praticá-lo conscientemente deverá conhecer quem pode merecê-lo; deve, também, observar as virtudes públicas e morais dos candidatos, refletir sobre suas propostas de governo e, após reunir todos esses elementos e outros que julgar lícitos e proveitosos, pensar em que votar e, com dignidade e discrição votar com plenitude de consciência. Jamais anular essa força cívica, esse direito inalienável do cidadão livre e independente em seu pensar.
MARCO AURÉLIO BICALHO DE ABREU CHAGAS
Fonte: www.artigonal.com
O voto é obrigatório para os maiores de dezoito anos e facultativo para os analfabetos, os maiores de setenta anos e os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
O voto é, portanto, um direito e ao mesmo tempo uma obrigação.
Votar, segundo Buarque de Holanda, é manifestar por voto o que sente ou pensa; dar o seu voto (a favor ou contra alguém ou algo).
Esse substantivo, voto, que traduz a ação de votar, é de grande importância para o cidadão consciente de seus deveres cívicos.
Numa democracia o voto é uma força, força que pode mudar o destino político de um povo.
Como, então, utilizar bem essa força para eleger os nossos governantes?
É fundamental que o eleitor, aquele que tem direito de eleger pelo voto seu representante, pense antes de votar.
O que é pensar?
É exercer uma função pertinente a determinada faculdade da mente humana.
A função de pensar, praticada como ensina a Logosofia - ciência do pensar consciente -, manifesta-se quando o ser, ao efetuar por império do novo saber as primeiras reflexões, percebe que nessa função, na qual começa a exercitar-se, sua vontade intelectiva atua respondendo à direção manifestamente lúcida da consciência. Sente, ao mesmo tempo, que pensa sob o auspício de uma concepção psicológica humana e observa que suas reflexões adquirem maior amplitude. Esta primeira confirmação da verdade que lhe anuncia o saber logosófico promove seu primeiro entusiasmo.
Há uma diferença fundamental entre a nova forma de exercer a função de pensar e a corretamente praticada. Essa diferença apoia-se no fato de que, enquanto a última corresponde quase que exclusivamente a necessidades do momento, atendendo a reclamos ou urgências de ordem material ou urgências de ordem material ou intranscendente, a função de pensar, orientada pelo método logosófico, obedece invariavelmente a um plano de vastos alcances na ordem mental, psicológica e espiritual; em outras palavras, à realização do processo consciente de evolução humana.
A faculdade de pensar não atua aqui isoladamente, mas sim, conduzida pelo próprio método, conecta cada esforço que realiza com uma perspectiva ou oportunidade mediata ou imediata que deverá ser preparada com antecipação.
A faculdade de pensar, fazendo parte da inteligência, para ser exercida, não deve fazê-lo, como vimos, isoladamente, deve requerer o concurso de outras faculdades mentais, como a de refletir, observar, meditar, dentre outras.
Assim, ao pensar no voto, o cidadão para praticá-lo conscientemente deverá conhecer quem pode merecê-lo; deve, também, observar as virtudes públicas e morais dos candidatos, refletir sobre suas propostas de governo e, após reunir todos esses elementos e outros que julgar lícitos e proveitosos, pensar em que votar e, com dignidade e discrição votar com plenitude de consciência. Jamais anular essa força cívica, esse direito inalienável do cidadão livre e independente em seu pensar.
MARCO AURÉLIO BICALHO DE ABREU CHAGAS
Fonte: www.artigonal.com
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
SE NÓS NÃO SABEMOS POR QUE É QUE ELES TEM QUE SABER?
Eu confesso: se tentasse entrar na universidade via vestibular, não passaria. Meu consolo é saber que eu não estaria sozinho. Teria muitos companheiros. Os reitores de nossas grandes universidades seriam os primeiros. A seguir, respeitáveis professores e pesquisadores.
Talvez não passassem nem mesmo em suas próprias disciplinas. É duvidoso que um professor que há anos se dedica a pesquisas de biologia molecular ainda se lembre de como resolver problemas estatísticos de genética. Também os professores dos cursinhos: cada um passaria brilhantemente na disciplina de sua especialidade. Mas é duvidoso que um professor de português consiga resolver problemas de química ou física. Com eles, os professores que elaboram as questões que os alunos terão de responder. Para eles, vale o que foi dito sobre os professores dos cursinhos.
Por fim, os diretores das empresas que preparam os vestibulares... Essa hipótese desaforada poderia ser testada facilmente: bastaria que os personagens acima mencionados se submetessem aos vestibulares. Claro: seria proibido que se preparassem.
O objetivo seria testar o que foi realmente aprendido. O que foi realmente aprendido é aquilo que sobreviveu à ação purificadora do esquecimento. O aprendido é aquilo que fica depois que o esquecimento faz o seu trabalho...
Vestibulares: porta de entrada para a universidade? Seria bom se sua função se limitasse a isso. O sinistro está não no que é dito mas no que permanece não dito: os vestibulares são um dragão devorador de inteligências cuja sombra se alonga para trás, cobrindo adolescentes e crianças. Desde cedo pais e escolas sabem que a escola deve preparar para os vestibulares. Os vestibulares, assim, determinam os padrões de conhecimento e inteligência a serem cultivados. Mas não existe nada mais contrário à educação que os padrões de conhecimento e inteligência que os vestibulares estabelecem.
O escritor Mário Prata escreveu uma crônica sobre as meninas jogadoras de voleibol. Era uma crônica leve, bem humorada, picante. Era impossível não sorrir ao lê-la. Lida, ficava para sempre na memória pois a memória guarda o que deu prazer. Passados alguns meses ele voltou ao assunto da primeira, numa crônica dirigida, se não me engano, ao senhor ministro da Educação.
É que sua primeira crônica fora usada, na íntegra, num exame vestibular. Para um escritor, ter uma crônica transcrita, na íntegra, num exame vestibular, equivale a uma consagração. Mário Prata estava felicíssimo. Exceto por um detalhe: os examinadores, para transformar sua crônica em objeto de exame, prepararam um série de questões sobre a mesma, cada uma delas com várias alternativas.
Mário Prata resolveu então brincar de vestibulando. Tentou responder as questões. Não acertou uma! ( Eu me saí pior do que ele. Tentei responder as questões, mas houve algumas que nem mesmo entendi! ). Se o vestibular fosse para valer, ele teria zerado no texto que ele mesmo escrevera. Ele se dirigiu então ao senhor ministro de Educação comentando esse absurdo.
E perguntou se não teria sido muito mais inteligente se os examinadores, gramáticos, tivessem pedido que os moços escrevessem um parágrafo, provocados por seu artigo. Aqueles saberes esotéricos que lhes eram pedidos nunca teriam qualquer uso em suas vidas.. Compreende-se que, como resultado do seu preparo para os vestibulares os jovens passem a detestar literatura.
Minha filha queria ser arquiteta. Como não havia outro caminho, matriculou-se num cursinho. Eu a via sofrer tendo de memorizar coisas que não lhe faziam sentido. Fiquei com dó e, por solidariedade, resolvi fazer um sacrifício: passei a estudar com ela. Estudei meiose e mitose, as causas da guerra dos cem anos, cruzamento de coelhos brancos com coelhos pretos... Estudei também, contra a vontade e sem interesse, a necrópsia da lingua chamada análise sintática.
Não sei para que serve. E dizia à minha filha, à guisa de consolo: "Você tem de aprender essas coisas que você não quer aprender porque a burocracia oficial assim determinou. Mas não se aflija. Passados dois meses quase tudo terá sido esquecido.
Só sobrarão os conhecimentos que fazem sentido..." Pergunto a você, meu leitor: de tudo o que você teve de estudar para passar no vestibular, o que sobrou?
Por que nós, professores universitários, não passaríamos no vestibular? Por termos memória fraca? Não. Por termos memória inteligente. Burras não são as memórias que esquecem mas as memórias que nada esquecem... A memória inteligente esquece o que não faz sentido. A memória viaja leve. Não leva bagagem desnecessária.
E aí eu pergunto: "Se nós, professores já dentro da universidade, não passaríamos nos exames vestibulares, por que é que os jovens que ainda estão fora têm de passar? É irracional. Especialmente em se considerando que irá acontecer com eles aquilo que aconteceu conosco: esquecerão... Haverá uma justificação pedagógica para esse absurdo? Ainda não a encontrei.
Rubem Alves
Teólogo, filósofo e psicanalista, autor de 40 livros
Fonte: www2.redepitagoras.com.br
Talvez não passassem nem mesmo em suas próprias disciplinas. É duvidoso que um professor que há anos se dedica a pesquisas de biologia molecular ainda se lembre de como resolver problemas estatísticos de genética. Também os professores dos cursinhos: cada um passaria brilhantemente na disciplina de sua especialidade. Mas é duvidoso que um professor de português consiga resolver problemas de química ou física. Com eles, os professores que elaboram as questões que os alunos terão de responder. Para eles, vale o que foi dito sobre os professores dos cursinhos.
Por fim, os diretores das empresas que preparam os vestibulares... Essa hipótese desaforada poderia ser testada facilmente: bastaria que os personagens acima mencionados se submetessem aos vestibulares. Claro: seria proibido que se preparassem.
O objetivo seria testar o que foi realmente aprendido. O que foi realmente aprendido é aquilo que sobreviveu à ação purificadora do esquecimento. O aprendido é aquilo que fica depois que o esquecimento faz o seu trabalho...
Vestibulares: porta de entrada para a universidade? Seria bom se sua função se limitasse a isso. O sinistro está não no que é dito mas no que permanece não dito: os vestibulares são um dragão devorador de inteligências cuja sombra se alonga para trás, cobrindo adolescentes e crianças. Desde cedo pais e escolas sabem que a escola deve preparar para os vestibulares. Os vestibulares, assim, determinam os padrões de conhecimento e inteligência a serem cultivados. Mas não existe nada mais contrário à educação que os padrões de conhecimento e inteligência que os vestibulares estabelecem.
O escritor Mário Prata escreveu uma crônica sobre as meninas jogadoras de voleibol. Era uma crônica leve, bem humorada, picante. Era impossível não sorrir ao lê-la. Lida, ficava para sempre na memória pois a memória guarda o que deu prazer. Passados alguns meses ele voltou ao assunto da primeira, numa crônica dirigida, se não me engano, ao senhor ministro da Educação.
É que sua primeira crônica fora usada, na íntegra, num exame vestibular. Para um escritor, ter uma crônica transcrita, na íntegra, num exame vestibular, equivale a uma consagração. Mário Prata estava felicíssimo. Exceto por um detalhe: os examinadores, para transformar sua crônica em objeto de exame, prepararam um série de questões sobre a mesma, cada uma delas com várias alternativas.
Mário Prata resolveu então brincar de vestibulando. Tentou responder as questões. Não acertou uma! ( Eu me saí pior do que ele. Tentei responder as questões, mas houve algumas que nem mesmo entendi! ). Se o vestibular fosse para valer, ele teria zerado no texto que ele mesmo escrevera. Ele se dirigiu então ao senhor ministro de Educação comentando esse absurdo.
E perguntou se não teria sido muito mais inteligente se os examinadores, gramáticos, tivessem pedido que os moços escrevessem um parágrafo, provocados por seu artigo. Aqueles saberes esotéricos que lhes eram pedidos nunca teriam qualquer uso em suas vidas.. Compreende-se que, como resultado do seu preparo para os vestibulares os jovens passem a detestar literatura.
Minha filha queria ser arquiteta. Como não havia outro caminho, matriculou-se num cursinho. Eu a via sofrer tendo de memorizar coisas que não lhe faziam sentido. Fiquei com dó e, por solidariedade, resolvi fazer um sacrifício: passei a estudar com ela. Estudei meiose e mitose, as causas da guerra dos cem anos, cruzamento de coelhos brancos com coelhos pretos... Estudei também, contra a vontade e sem interesse, a necrópsia da lingua chamada análise sintática.
Não sei para que serve. E dizia à minha filha, à guisa de consolo: "Você tem de aprender essas coisas que você não quer aprender porque a burocracia oficial assim determinou. Mas não se aflija. Passados dois meses quase tudo terá sido esquecido.
Só sobrarão os conhecimentos que fazem sentido..." Pergunto a você, meu leitor: de tudo o que você teve de estudar para passar no vestibular, o que sobrou?
Por que nós, professores universitários, não passaríamos no vestibular? Por termos memória fraca? Não. Por termos memória inteligente. Burras não são as memórias que esquecem mas as memórias que nada esquecem... A memória inteligente esquece o que não faz sentido. A memória viaja leve. Não leva bagagem desnecessária.
E aí eu pergunto: "Se nós, professores já dentro da universidade, não passaríamos nos exames vestibulares, por que é que os jovens que ainda estão fora têm de passar? É irracional. Especialmente em se considerando que irá acontecer com eles aquilo que aconteceu conosco: esquecerão... Haverá uma justificação pedagógica para esse absurdo? Ainda não a encontrei.
Rubem Alves
Teólogo, filósofo e psicanalista, autor de 40 livros
Fonte: www2.redepitagoras.com.br
UMA REFLEXÃO SOBRE O APRENDER E O ENSINAR
Convido-os a partilhar desta reflexão a respeito da educação no mundo em que vivemos, recheado de questionamentos sobre a forma de orientarmos nossas crianças numa sociedade que passa por mudanças rápidas, influenciadas por uma cultura com metas exigentes e conteudistas. Nunca se pensou tanto sobre o saber, o aprender e o ensinar.
A ciência moderna e os estudos estão num avanço tal que chegam a interferir na concepção do ser humano, desnaturalizando-a, interferindo até na construção do sentimento de maternidade. Tem-se a preocupação de desenvolver e instigar a todo momento os potenciais das crianças desde o seu nascimento.
A mãe de um bebê recém-nascido, a princípio, interessava-se pela sua alimentação, vacinas, sono, etc. Hoje, os pediatras comentam que algumas das questões maternas giram em torno da cor com que o quarto deve ser pintado para maior estímulo ou, ainda, quais os brinquedos que mais aguçam o raciocínio e a percepção. É sabido que as novas preocupações com as necessidades de um bebê permeiam essas questões.
Espera-se que esse indivíduo, desde pequeno, mostre autonomia e autoria, que são pré-requisitos para o seu bom engajamento na sociedade contemporânea. Postura crítica, iniciativa, capacidade de análise, competências e habilidades são necessárias a uma adaptação mais eficaz em um mundo de contínuas mudanças. Para algumas crianças, esse entorno que tanto lhe exige desde pequenas apresenta-se agressivo de tal forma que as amedronta, interferindo no seu desenvolvimento.
Por vezes percebemos a criança dividida, segmentada, com a conivência de pais confusos. Há preocupações específicas relativas a um corpo sadio e forte, a uma mente voltada à cultura, ao intelecto competitivo e a uma formação acadêmica em escola competente, que visam mais às boas universidades que aos bons cidadãos.
É fato, entretanto, que há um despertar para a necessidade do olhar mais humanista e que podemos ter o prazer de deparar com algumas escolas que vivem dentro desse posicionamento, em que o outro é olhado como ser integral. #Isso não elimina a necessidade de atuar de forma consciente na capacitação dos indivíduos para o momento culturalmente exigente que se vive.
São tantos investimentos de profissionais especialistas na formação das nossas crianças que, além da divisão desse indivíduo em fragmentos independentes, a família acaba perdendo a autonomia. Fica perdida, seguindo várias orientações centradas em diferentes áreas. Cada vez mais ocupada e sem o tempo necessário para discernir e opinar de maneira reflexiva, entrega a formação dos filhos a profissionais que nem sempre garantem o vínculo tão necessário ao desenvolvimento dessa criança.
Frente à constatação de tantas mudanças, questiono: que pessoas estamos formando? Onde estão os afetos, pilares insubstituíveis para a construção da estrutura interna, que hoje circulam dentro de um ambiente familiar cada vez mais distante e restrito?
Sabemos que o conceito de como educar uma criança vai sendo alterado de acordo com o entorno cultural e social onde ela está inserida. Esse contexto faz parte da história do desenvolvimento e das relações por meio das quais o sujeito se constitui. Vale lembrar que não tem fim, é um processo que acontece de forma subjetiva em cada indivíduo de acordo com interferências sociais e culturais.
O ser humano é susceptível e absorve as influências do meio onde está inserido. Nessa troca, acontece então o aprender. Quando nos referimos ao aprender, subentende-se que exista algo ou alguém que aprende — o aprendente — e algo ou alguém que ensina — o ensinante.
Os ensinamentos iniciam-se nos primeiros contatos tão próximos com a mãe. Quem são os demais ensinantes na vida de um sujeito? Esse lugar é ocupado pelo pai, irmãos, tios, avós, colegas, professores e todo o círculo de convivência que faz parte do meio que nos cerca.
O aprender está conectado ao conhecimento. É preciso relacionar-se com o outro para colocá-lo no lugar de ensinante e estabelecer uma relação permeada pelo vínculo para que se possa entrar em contato com o conhecimento por ele oferecido.
Entre o ensinante e o aprendente, abre-se um campo de diferenças onde se situa o prazer de aprender por intermédio do estabelecimento de uma relação vincular. Para que o sujeito aprenda, é necessário conectar-se com seus próprios conteúdos, mostrar seu conhecimento, autorizar-se a abrir ao outro e, assim, incorporar seus ensinamentos.
O conhecimento prévio, fruto das vivências de cada um, faz parte do processo interno desse sujeito. Ele é acrescido de novas informações e transformado, para que possa ser vivenciado e incorporado.
Ensinar aprendendo, essa é a grande estratégia
O ensinar e o aprender caminham juntos. Mais do que ensinar conteúdos, ser ensinante está atrelado a abrir caminhos. Não se transmite conhecimento, mas, sim, sinais deste, para que o outro possa fazer uso dele e transformá-lo de forma subjetiva.
O desejo e a vontade atuam como diferenciais no processo, autorizando e fazendo uso de diferentes ferramentas oferecidas para que se tornem instrumentos na construção do conhecimento e se alcance o objetivo final.
O orientador sensível instiga, preserva a autonomia e a liberdade responsável e propicia, assim, o diferencial no processo, isto é, a alegria da descoberta e a autoria do próprio conhecimento, trazendo as garantias para o verdadeiro aprender.
Ser um educador, é um trabalho nada fácil, com um grande objetivo a ser alcançado.
Segundo Paulo Freire (1993), se o educador tem uma opção democrática, com autocrítica e procura diminuir a distância entre o discurso e a prática, ele “vive uma difícil, mas possível e prazerosa experiência de falar AOS educandos e COM eles”.
Cecília Faro
Fonte: www.educacional.com.br
A ciência moderna e os estudos estão num avanço tal que chegam a interferir na concepção do ser humano, desnaturalizando-a, interferindo até na construção do sentimento de maternidade. Tem-se a preocupação de desenvolver e instigar a todo momento os potenciais das crianças desde o seu nascimento.
A mãe de um bebê recém-nascido, a princípio, interessava-se pela sua alimentação, vacinas, sono, etc. Hoje, os pediatras comentam que algumas das questões maternas giram em torno da cor com que o quarto deve ser pintado para maior estímulo ou, ainda, quais os brinquedos que mais aguçam o raciocínio e a percepção. É sabido que as novas preocupações com as necessidades de um bebê permeiam essas questões.
Espera-se que esse indivíduo, desde pequeno, mostre autonomia e autoria, que são pré-requisitos para o seu bom engajamento na sociedade contemporânea. Postura crítica, iniciativa, capacidade de análise, competências e habilidades são necessárias a uma adaptação mais eficaz em um mundo de contínuas mudanças. Para algumas crianças, esse entorno que tanto lhe exige desde pequenas apresenta-se agressivo de tal forma que as amedronta, interferindo no seu desenvolvimento.
Por vezes percebemos a criança dividida, segmentada, com a conivência de pais confusos. Há preocupações específicas relativas a um corpo sadio e forte, a uma mente voltada à cultura, ao intelecto competitivo e a uma formação acadêmica em escola competente, que visam mais às boas universidades que aos bons cidadãos.
É fato, entretanto, que há um despertar para a necessidade do olhar mais humanista e que podemos ter o prazer de deparar com algumas escolas que vivem dentro desse posicionamento, em que o outro é olhado como ser integral. #Isso não elimina a necessidade de atuar de forma consciente na capacitação dos indivíduos para o momento culturalmente exigente que se vive.
São tantos investimentos de profissionais especialistas na formação das nossas crianças que, além da divisão desse indivíduo em fragmentos independentes, a família acaba perdendo a autonomia. Fica perdida, seguindo várias orientações centradas em diferentes áreas. Cada vez mais ocupada e sem o tempo necessário para discernir e opinar de maneira reflexiva, entrega a formação dos filhos a profissionais que nem sempre garantem o vínculo tão necessário ao desenvolvimento dessa criança.
Frente à constatação de tantas mudanças, questiono: que pessoas estamos formando? Onde estão os afetos, pilares insubstituíveis para a construção da estrutura interna, que hoje circulam dentro de um ambiente familiar cada vez mais distante e restrito?
Sabemos que o conceito de como educar uma criança vai sendo alterado de acordo com o entorno cultural e social onde ela está inserida. Esse contexto faz parte da história do desenvolvimento e das relações por meio das quais o sujeito se constitui. Vale lembrar que não tem fim, é um processo que acontece de forma subjetiva em cada indivíduo de acordo com interferências sociais e culturais.
O ser humano é susceptível e absorve as influências do meio onde está inserido. Nessa troca, acontece então o aprender. Quando nos referimos ao aprender, subentende-se que exista algo ou alguém que aprende — o aprendente — e algo ou alguém que ensina — o ensinante.
Os ensinamentos iniciam-se nos primeiros contatos tão próximos com a mãe. Quem são os demais ensinantes na vida de um sujeito? Esse lugar é ocupado pelo pai, irmãos, tios, avós, colegas, professores e todo o círculo de convivência que faz parte do meio que nos cerca.
O aprender está conectado ao conhecimento. É preciso relacionar-se com o outro para colocá-lo no lugar de ensinante e estabelecer uma relação permeada pelo vínculo para que se possa entrar em contato com o conhecimento por ele oferecido.
Entre o ensinante e o aprendente, abre-se um campo de diferenças onde se situa o prazer de aprender por intermédio do estabelecimento de uma relação vincular. Para que o sujeito aprenda, é necessário conectar-se com seus próprios conteúdos, mostrar seu conhecimento, autorizar-se a abrir ao outro e, assim, incorporar seus ensinamentos.
O conhecimento prévio, fruto das vivências de cada um, faz parte do processo interno desse sujeito. Ele é acrescido de novas informações e transformado, para que possa ser vivenciado e incorporado.
Ensinar aprendendo, essa é a grande estratégia
O ensinar e o aprender caminham juntos. Mais do que ensinar conteúdos, ser ensinante está atrelado a abrir caminhos. Não se transmite conhecimento, mas, sim, sinais deste, para que o outro possa fazer uso dele e transformá-lo de forma subjetiva.
O desejo e a vontade atuam como diferenciais no processo, autorizando e fazendo uso de diferentes ferramentas oferecidas para que se tornem instrumentos na construção do conhecimento e se alcance o objetivo final.
O orientador sensível instiga, preserva a autonomia e a liberdade responsável e propicia, assim, o diferencial no processo, isto é, a alegria da descoberta e a autoria do próprio conhecimento, trazendo as garantias para o verdadeiro aprender.
Ser um educador, é um trabalho nada fácil, com um grande objetivo a ser alcançado.
Segundo Paulo Freire (1993), se o educador tem uma opção democrática, com autocrítica e procura diminuir a distância entre o discurso e a prática, ele “vive uma difícil, mas possível e prazerosa experiência de falar AOS educandos e COM eles”.
Cecília Faro
Fonte: www.educacional.com.br
O PAPEL DO PROFESSOR NA CONSTRUÇÃO DE COMPETÊNCIAS
O século 21 traz em seu bojo mudanças substanciais no estilo de vida, muitas delas previstas por Tom Peters, Alvin Tofler, John Naisbitt e Patrícia Aburdene no início dos anos 90. Trazem à tona diversos aspectos interessantes sobre a construção de competências a partir de conceituações e questionamentos que remetem a uma reflexão por parte dos professores neste início de século, destacando-se:
Definições:
1. A noção de competências está intimamente ligada a situações nas quais é preciso tomar decisões e resolver problemas.
2. Uma competência permite afrontar regular e adequadamente uma família de tarefas e de situações, apelando para noções, conhecimentos, informações, procedimentos, métodos, técnicas ou ainda, a outras competências mais específicas.
3. Competência é saber mobilizar e isto se manifesta na ação.
4. A escola é um lugar onde todos acumulam os conhecimentos de que um número significativo de pessoas necessita e/ou necessitará mais tarde.
Questionamentos:
1 - O que mais nos incomodava na escola quando éramos estudantes?
2 - A escola pode ter uma postura pró-ativa no que diz respeito s expectativas dos alunos atuais, apenas com a modernização tecnológica?
3 - Qual a utilidade para as escolas modernas, de professores abarrotados de conhecimentos acumulados em suas pesquisas e cursos?
4 - Como deve ser a trilogia escola-professor-aluno na construção de competências que levem os alunos a conhecer ferramentas para dominar a vida e compreender melhor o mundo?
O papel do professor resgata as essências da origem no que diz respeito aos estilos de aprendizagem, ou seja: cada pessoa aprende de um modo. Uns pela observação, outros pela pesquisa, outros ainda pela repetição de tarefas e ações e assim por diante.
Assim como o professor não suporta textos manuscritos por alunos onde não consegue decifrar as letras caligrafadas, ou argumentos do tipo "o meu i é assim; para mim, o p é assim", os alunos também não suportam professores que trazem suas frases feitas, como: "meu método de ensino é assim" ou "minha forma de avaliação é assim", "eu sou assim", etc.
O papel do professor na construção de competências é fundamental como agente estimulador, motivador, potencializador de competências, entendendo o aluno como cliente tanto no processo de comunicação como na relação de trabalho, oferecendo a ele o melhor produto, correspondendo às suas expectativas. E isso passa pela compreensão uniforme e harmônica das competências, das novas necessidades do mercado e, principalmente, do posicionamento uniforme da equipe de professores junto aos alunos de cada curso, para construírem juntos um conhecimento de utilidade e um relacionamento do tipo "lição de vida" para o aluno atuar efetivamente como agente de mudanças e se realizar na vida e na sociedade. Cabe a nós professores (incluindo você) a adoção de uma política de auto-questionamento e auto-avaliação em tempo real e 24h, para balizamento do referencial de conhecimentos, habilidades e atitudes como agentes, facilitadores, construtores de competências, educadores, motivadores de talentos humanos para a realização pessoal, profissional, emocional, espiritual e social. Conclusivamente, é recomendável a quebra de velhos paradigmas e a adoção de novos, compatíveis com o cenário em tela.
Dicas importantes:
1. Pare de falar "a minha classe é muito heterogênea". Graças a Deus que é, sempre foi e sempre será, aliás, cada vez mais. Seria caótico e entediante trabalhar em uma classe totalmente homogênea.
2. Pare de culpar a instituição ou o governo por sua defasagem. A informação hoje em dia é gratuita e está disponível igualmente em tempo real 24h para quem quiser procurá-la. Atualizar-se é preciso, sob pena de autodesclassificação para a continuidade e boa parte disso passa por você. Faça a sua parte.
3. Capitalize sua experiência anterior de anos em sala de aula, para construir um modelo que realmente faça a diferença positivamente
4. Utilize o ambiente Internet também para intercambiar informações,
conhecimentos e experiências. Neste exato momento, existem inúmeras pessoas
na rede, procurando alguém com sua experiência para um diálogo construtivo,
mas que não sabem que você existe.
Sandra Regina da Luz Inácio
Fonte: www.editoraopet.com.br
Definições:
1. A noção de competências está intimamente ligada a situações nas quais é preciso tomar decisões e resolver problemas.
2. Uma competência permite afrontar regular e adequadamente uma família de tarefas e de situações, apelando para noções, conhecimentos, informações, procedimentos, métodos, técnicas ou ainda, a outras competências mais específicas.
3. Competência é saber mobilizar e isto se manifesta na ação.
4. A escola é um lugar onde todos acumulam os conhecimentos de que um número significativo de pessoas necessita e/ou necessitará mais tarde.
Questionamentos:
1 - O que mais nos incomodava na escola quando éramos estudantes?
2 - A escola pode ter uma postura pró-ativa no que diz respeito s expectativas dos alunos atuais, apenas com a modernização tecnológica?
3 - Qual a utilidade para as escolas modernas, de professores abarrotados de conhecimentos acumulados em suas pesquisas e cursos?
4 - Como deve ser a trilogia escola-professor-aluno na construção de competências que levem os alunos a conhecer ferramentas para dominar a vida e compreender melhor o mundo?
O papel do professor resgata as essências da origem no que diz respeito aos estilos de aprendizagem, ou seja: cada pessoa aprende de um modo. Uns pela observação, outros pela pesquisa, outros ainda pela repetição de tarefas e ações e assim por diante.
Assim como o professor não suporta textos manuscritos por alunos onde não consegue decifrar as letras caligrafadas, ou argumentos do tipo "o meu i é assim; para mim, o p é assim", os alunos também não suportam professores que trazem suas frases feitas, como: "meu método de ensino é assim" ou "minha forma de avaliação é assim", "eu sou assim", etc.
O papel do professor na construção de competências é fundamental como agente estimulador, motivador, potencializador de competências, entendendo o aluno como cliente tanto no processo de comunicação como na relação de trabalho, oferecendo a ele o melhor produto, correspondendo às suas expectativas. E isso passa pela compreensão uniforme e harmônica das competências, das novas necessidades do mercado e, principalmente, do posicionamento uniforme da equipe de professores junto aos alunos de cada curso, para construírem juntos um conhecimento de utilidade e um relacionamento do tipo "lição de vida" para o aluno atuar efetivamente como agente de mudanças e se realizar na vida e na sociedade. Cabe a nós professores (incluindo você) a adoção de uma política de auto-questionamento e auto-avaliação em tempo real e 24h, para balizamento do referencial de conhecimentos, habilidades e atitudes como agentes, facilitadores, construtores de competências, educadores, motivadores de talentos humanos para a realização pessoal, profissional, emocional, espiritual e social. Conclusivamente, é recomendável a quebra de velhos paradigmas e a adoção de novos, compatíveis com o cenário em tela.
Dicas importantes:
1. Pare de falar "a minha classe é muito heterogênea". Graças a Deus que é, sempre foi e sempre será, aliás, cada vez mais. Seria caótico e entediante trabalhar em uma classe totalmente homogênea.
2. Pare de culpar a instituição ou o governo por sua defasagem. A informação hoje em dia é gratuita e está disponível igualmente em tempo real 24h para quem quiser procurá-la. Atualizar-se é preciso, sob pena de autodesclassificação para a continuidade e boa parte disso passa por você. Faça a sua parte.
3. Capitalize sua experiência anterior de anos em sala de aula, para construir um modelo que realmente faça a diferença positivamente
4. Utilize o ambiente Internet também para intercambiar informações,
conhecimentos e experiências. Neste exato momento, existem inúmeras pessoas
na rede, procurando alguém com sua experiência para um diálogo construtivo,
mas que não sabem que você existe.
Sandra Regina da Luz Inácio
Fonte: www.editoraopet.com.br
terça-feira, 28 de setembro de 2010
COMO A ESCOLA E OS PAIS PODEM FORMAR (JUNTOS) UM BOM ALUNO
Pedro e Paulo eram vizinhos e amigos. Com diferentes famílias, diferentes hábitos, estudaram em diferentes escolas, tiveram diferentes destinos. Pedro passou no vestibular com honras, foi acolhido por uma grande universidade, concluiu mestrado aos 30 anos, fala inglês e espanhol e é um profissional disputado por empresas modernas. Paulo não teve a mesma "sorte": o cursinho levou-o a uma má faculdade, e, de entrevista em entrevista, percorre um áspero caminho para ingressar no mundo do trabalho. À noite, freqüenta cursos de língua e informática.
A pequena história acima, embora fictícia, é perfeitamente verossímil. Mais do que isso: é cada vez mais provável, no cenário contemporâneo. Principalmente porque o elemento que diferencia os dois destinos é o mesmo: a Educação, em casa e na escola. Como poderia ser diferente? Teria sido apenas a boa ou má qualidade do Ensino Médio, do cursinho? Uma questão de "inteligência"? Não: se essa história segue a realidade que vivemos dia-a-dia na escola, o problema começou bem antes, ainda na infância, certamente no Ensino Fundamental.
Muitos adultos podem ficar surpresos, mas a verdade é que as principais características - domínio de certos conteúdos, posturas, habilidades e competências - que interferem na realização acadêmica e profissional hoje são construídas nos primeiros anos de vida escolar, pela escola e pelos pais, como veremos.
É verdade: um bom Ensino Médio é fundamental para que se possa cursar uma universidade "de 1ª linha". Se o aluno não freqüentar um colégio que lhe dê uma sólida base acadêmica, ele não conseguirá ser bem-sucedido na universidade. Mas também não terá condições de cursar um Ensino Médio adequado (com absoluta certeza), se não puder desenvolver desde cedo dois traços aparentemente contraditórios - disciplina e curiosidade.
A disciplina
Uma boa escola de Ensino Fundamental leva o aluno a ser um aprendiz disciplinado. Isso tem um grande significado, muitas vezes ignorado por famílias e educadores.
Um indivíduo disciplinado não é aquele que aceita regras sem opor contestações, como se acreditava há décadas. Por disciplina, entenda-se a capacidade de adiar gratificações, de fazer efetivamente o que precisa ser feito no momento adequado.
No mundo dos adultos, há um paralelo óbvio. Se precisamos trabalhar, trabalhamos, não vamos à praia, nem dormimos. Para um adolescente, por exemplo, há milhões de prazeres que concorrem com o dever de estudar - namorar, sair com amigos, falar ao telefone, ver televisão...
É uma dificuldade humana aceitar que a vida nos impõe a dicotomia entre o tempo curto (o imediato, o agora) e o tempo longo (aquilo que temos de conquistar passo-a-passo para que nosso futuro seja melhor). Até por isso, faz parte dos objetivos da Educação formar indivíduos capazes de superar o imediatismo e de ter metas a longo prazo.
No cotidiano do estudante, a disciplina também implica outras posturas que interferem diretamente no aprendizado. É o caso da organização do material de estudo, da concentração para assistir às aulas... É o caso também da capacidade de seguir instruções orais e escritas com método e independência, e de persistir frente às dificuldades, sem medo de fracassar.
Vale lembrar também que não há disciplina que resista ao sentimento de fracasso, de não-aceitação. Por isso, a escola e a família precisam fortificar a auto-estima do aluno, a certeza de que ele é, sim, capaz de superar dificuldades - empenhando-se, buscando auxílio com os companheiros, pais e professores.
A curiosidade
Ótima parceira da disciplina, a curiosidade impulsiona os avanços humanos. Pois "curiosidade" não é só uma característica pueril, como nossos avós pensavam. É a nossa capacidade de explorar o mundo que nos cerca, de fazer perguntas.
Muitas escolas ainda acreditam que ensinar é uma transferência de conhecimento de quem sabe para quem não sabe. Estas eliminam a possibilidade de formar alunos curiosos: não querem realmente que o aluno pergunte; querem que ele repita.
De forma simplificada, é preciso entender que "ensinar" é partir de hipóteses que o aluno já traz consigo para levá-lo (por meio de problematizações) a construir novos conhecimentos. É assim que todos aprendemos - confrontando as idéias que tínhamos com as que nos são apresentadas.
Por isso, manter alunos acesos e interessados é essencial. Na nova sala de aula, o trabalho intelectual não é prerrogativa do professor, mas um exercício comum a todos. Ao estar atento à aprendizagem, o aluno passa a valorizar o conhecimento e a ter o compromisso de aprender. Mais: aprende a admirar e a respeitar o mundo dos conceitos, do pensamento, das idéias.
O aluno que aprende a conciliar curiosidade e disciplina já no Ensino Fundamental certamente irá longe em sua escolaridade futura, pois adquiriu diversas habilidades essenciais.
Colégios com sólida base acadêmica exigem esse repertório e certa autonomia para aprender, pois o Ensino Médio demanda maior densidade de conteúdo, abstração e precisão de linguagem, em todas as disciplinas.
Da mesma forma, dispor de tais instrumentos será determinante para o futuro universitário e para o profissional do século XXI.
Como já se disse, aquilo que usualmente se chama de sucesso é composto de inspiração e também de muito trabalho. Na linguagem dos jovens, de paixão, sim, mas de muita transpiração.
OS PAIS E A FORMAÇÃO DE UM BOM ALUNO
Para a formação de um bom aluno, a família é tão ou mais importante do que a escola. Afinal, a Educação não se resume ao ensino formal, mas ao desenvolvimento integral, o que inclui os valores morais, as atitudes, o equilíbrio emocional, entre outros fatores. Antes de mais nada, os pais devem estar conscientes de que são os reais modelos de comportamento ético e moral dos filhos.
Mais do que conversar sobre esses princípios, deve-se demonstrá-los no dia-a-dia.
Eis algumas sugestões que certamente vão colaborar para a formação de melhores estudantes.
- Valorize o conhecimento, concretamente, dentro de casa. Um lar sem livros e leitores provavelmente não é um lar que valoriza a cultura.
- Realce a auto-estima de seus filhos com atenção e cuidado. Serão assim mais confiantes e serão capazes de resistir à pressão negativa dos grupos.
- Ensine-os a assumir a responsabilidade do que fizeram: arcar com as conseqüências naturais dos atos os estimula a desenvolver responsabilidade.
- Valorize o aprendizado permanente. Mostre que estamos sempre aprendendo e nos desenvolvendo, dizendo inclusive: "não sei, vamos descobrir juntos".
- Use apenas o melhor da TV. Deixe-a desligada o resto do tempo. Habilidades importantes são desenvolvidas na conversa, no jogo, na brincadeira. Faça isso com seus filhos.
Da mesma forma, para que se formem estudantes saudáveis, a relação entre a família e a escola deve ser cultivada. As crianças e os pré-adolescentes necessitam que os pais demonstrem interesse pelo que acontece na escola, pelo desenvolvimento alcançado, pela produção do aluno.
Por isso, é muito positivo
- acompanhar a vida escolar, informando-se sobre o desenvolvimento do aluno por fontes de informação fornecidas pela escola.
- participar dos eventos da escola (reuniões, mostras de trabalhos e eventos culturais).
- trabalhar cooperativamente com os professores. Visitar e comunicar-se com a escola, conhecendo o que pode ser feito em casa para melhorar a condição de aprendizagem de seus filhos.
- incentivar os filhos a utilizar diferentes fontes de informação (livros, enciclopédias, eletrônicas ou não, Internet, entrevistas) nas pesquisas solicitadas.
- ler com eles e para eles: ler em voz alta faz com que compreendam a língua escrita, sua estrutura, seu vocabulário.
- enfatizar que não há campo de estudo inútil. Todos são fundamentais, seja por seu conteúdo, por desenvolver o raciocínio ou por ampliar sua visão de mundo.
Maria Helena Bresser
Doutora em Psicologia
Diretora Pedagógica do Colégio Móbile
Fonte: Colégio Móbile
COMO A ESCOLA
A pequena história acima, embora fictícia, é perfeitamente verossímil. Mais do que isso: é cada vez mais provável, no cenário contemporâneo. Principalmente porque o elemento que diferencia os dois destinos é o mesmo: a Educação, em casa e na escola. Como poderia ser diferente? Teria sido apenas a boa ou má qualidade do Ensino Médio, do cursinho? Uma questão de "inteligência"? Não: se essa história segue a realidade que vivemos dia-a-dia na escola, o problema começou bem antes, ainda na infância, certamente no Ensino Fundamental.
Muitos adultos podem ficar surpresos, mas a verdade é que as principais características - domínio de certos conteúdos, posturas, habilidades e competências - que interferem na realização acadêmica e profissional hoje são construídas nos primeiros anos de vida escolar, pela escola e pelos pais, como veremos.
É verdade: um bom Ensino Médio é fundamental para que se possa cursar uma universidade "de 1ª linha". Se o aluno não freqüentar um colégio que lhe dê uma sólida base acadêmica, ele não conseguirá ser bem-sucedido na universidade. Mas também não terá condições de cursar um Ensino Médio adequado (com absoluta certeza), se não puder desenvolver desde cedo dois traços aparentemente contraditórios - disciplina e curiosidade.
A disciplina
Uma boa escola de Ensino Fundamental leva o aluno a ser um aprendiz disciplinado. Isso tem um grande significado, muitas vezes ignorado por famílias e educadores.
Um indivíduo disciplinado não é aquele que aceita regras sem opor contestações, como se acreditava há décadas. Por disciplina, entenda-se a capacidade de adiar gratificações, de fazer efetivamente o que precisa ser feito no momento adequado.
No mundo dos adultos, há um paralelo óbvio. Se precisamos trabalhar, trabalhamos, não vamos à praia, nem dormimos. Para um adolescente, por exemplo, há milhões de prazeres que concorrem com o dever de estudar - namorar, sair com amigos, falar ao telefone, ver televisão...
É uma dificuldade humana aceitar que a vida nos impõe a dicotomia entre o tempo curto (o imediato, o agora) e o tempo longo (aquilo que temos de conquistar passo-a-passo para que nosso futuro seja melhor). Até por isso, faz parte dos objetivos da Educação formar indivíduos capazes de superar o imediatismo e de ter metas a longo prazo.
No cotidiano do estudante, a disciplina também implica outras posturas que interferem diretamente no aprendizado. É o caso da organização do material de estudo, da concentração para assistir às aulas... É o caso também da capacidade de seguir instruções orais e escritas com método e independência, e de persistir frente às dificuldades, sem medo de fracassar.
Vale lembrar também que não há disciplina que resista ao sentimento de fracasso, de não-aceitação. Por isso, a escola e a família precisam fortificar a auto-estima do aluno, a certeza de que ele é, sim, capaz de superar dificuldades - empenhando-se, buscando auxílio com os companheiros, pais e professores.
A curiosidade
Ótima parceira da disciplina, a curiosidade impulsiona os avanços humanos. Pois "curiosidade" não é só uma característica pueril, como nossos avós pensavam. É a nossa capacidade de explorar o mundo que nos cerca, de fazer perguntas.
Muitas escolas ainda acreditam que ensinar é uma transferência de conhecimento de quem sabe para quem não sabe. Estas eliminam a possibilidade de formar alunos curiosos: não querem realmente que o aluno pergunte; querem que ele repita.
De forma simplificada, é preciso entender que "ensinar" é partir de hipóteses que o aluno já traz consigo para levá-lo (por meio de problematizações) a construir novos conhecimentos. É assim que todos aprendemos - confrontando as idéias que tínhamos com as que nos são apresentadas.
Por isso, manter alunos acesos e interessados é essencial. Na nova sala de aula, o trabalho intelectual não é prerrogativa do professor, mas um exercício comum a todos. Ao estar atento à aprendizagem, o aluno passa a valorizar o conhecimento e a ter o compromisso de aprender. Mais: aprende a admirar e a respeitar o mundo dos conceitos, do pensamento, das idéias.
O aluno que aprende a conciliar curiosidade e disciplina já no Ensino Fundamental certamente irá longe em sua escolaridade futura, pois adquiriu diversas habilidades essenciais.
Colégios com sólida base acadêmica exigem esse repertório e certa autonomia para aprender, pois o Ensino Médio demanda maior densidade de conteúdo, abstração e precisão de linguagem, em todas as disciplinas.
Da mesma forma, dispor de tais instrumentos será determinante para o futuro universitário e para o profissional do século XXI.
Como já se disse, aquilo que usualmente se chama de sucesso é composto de inspiração e também de muito trabalho. Na linguagem dos jovens, de paixão, sim, mas de muita transpiração.
OS PAIS E A FORMAÇÃO DE UM BOM ALUNO
Para a formação de um bom aluno, a família é tão ou mais importante do que a escola. Afinal, a Educação não se resume ao ensino formal, mas ao desenvolvimento integral, o que inclui os valores morais, as atitudes, o equilíbrio emocional, entre outros fatores. Antes de mais nada, os pais devem estar conscientes de que são os reais modelos de comportamento ético e moral dos filhos.
Mais do que conversar sobre esses princípios, deve-se demonstrá-los no dia-a-dia.
Eis algumas sugestões que certamente vão colaborar para a formação de melhores estudantes.
- Valorize o conhecimento, concretamente, dentro de casa. Um lar sem livros e leitores provavelmente não é um lar que valoriza a cultura.
- Realce a auto-estima de seus filhos com atenção e cuidado. Serão assim mais confiantes e serão capazes de resistir à pressão negativa dos grupos.
- Ensine-os a assumir a responsabilidade do que fizeram: arcar com as conseqüências naturais dos atos os estimula a desenvolver responsabilidade.
- Valorize o aprendizado permanente. Mostre que estamos sempre aprendendo e nos desenvolvendo, dizendo inclusive: "não sei, vamos descobrir juntos".
- Use apenas o melhor da TV. Deixe-a desligada o resto do tempo. Habilidades importantes são desenvolvidas na conversa, no jogo, na brincadeira. Faça isso com seus filhos.
Da mesma forma, para que se formem estudantes saudáveis, a relação entre a família e a escola deve ser cultivada. As crianças e os pré-adolescentes necessitam que os pais demonstrem interesse pelo que acontece na escola, pelo desenvolvimento alcançado, pela produção do aluno.
Por isso, é muito positivo
- acompanhar a vida escolar, informando-se sobre o desenvolvimento do aluno por fontes de informação fornecidas pela escola.
- participar dos eventos da escola (reuniões, mostras de trabalhos e eventos culturais).
- trabalhar cooperativamente com os professores. Visitar e comunicar-se com a escola, conhecendo o que pode ser feito em casa para melhorar a condição de aprendizagem de seus filhos.
- incentivar os filhos a utilizar diferentes fontes de informação (livros, enciclopédias, eletrônicas ou não, Internet, entrevistas) nas pesquisas solicitadas.
- ler com eles e para eles: ler em voz alta faz com que compreendam a língua escrita, sua estrutura, seu vocabulário.
- enfatizar que não há campo de estudo inútil. Todos são fundamentais, seja por seu conteúdo, por desenvolver o raciocínio ou por ampliar sua visão de mundo.
Maria Helena Bresser
Doutora em Psicologia
Diretora Pedagógica do Colégio Móbile
Fonte: Colégio Móbile
COMO A ESCOLA
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